Sejam bem vindas e bem vindos para conversa regada a uma boa xícara de chá.Qual o seu preferido?


sábado

Foi assim...(e um pouco de mim)

Tudo começou no dia 16/18 de abril de 1990. Segue o diálogo:

Dia 16:

Personagem 1 - “Olha, cuidado...eu estou no meu período fértil...”

Personagem 2 - “Não, imagina, eu cuido, é só uma brincadeirinha...”

Personagem 1- “É melhor não arriscar, vai pegar a camisinha...”

Personagem 2 – “ Ah, mas você não tem ovário micropolicístico?”

Personagem 1 – “Tenho,mas é melhor não arriscar...”

Personagem 2 –“Hi...escapou!”

Dia 18:

Personagem 1 - “Olha, se nos livramos antes de ontem hoje pode não dar certo...”

Personagem 2 - “Não, imagina, dessa vez eu cuido,(...)”

“Hi!!! Escapou de novo!!!”

Duas semanas depois minha menstruação não veio!!! E começou uma coceirinha incômoda e fui ao clínico geral do posto de saúde do Bom Retiro.

“Estou te pedindo uns exames entre eles o Beta HCG. Sua menstruação está atrasada e muitas vezes uma infecção urinária acontece nesse período inicial”

Avenida Angélica – duas semanas depois...

Suspense!!!

Positivo!!!

Cara!!! Eu estava grávida!!! Não sabíamos se ríamos, se chorávamos se dávamos pulos!!!

Nos primeiros 4 meses só enjôos. Afff!!!E tome Dramin B6. Como a sogra era um “doce” de pessoa, aproveitei a boa desculpa de ir morar em Caieiras na casa do tio do marido, para poder acompanhar a obra de nossa casa, que não saía do canto, apesar de todas semanas despejarmos um saco de dinheiro no depósito. Quando o marido vinha na sexta-feira dormíamos no chão da sala. Porque não dava para dormir 2 numa cama de solteiro. E numa manhã como ele sempre fazia ao se espreguiçar vinha para cima de mim como se não houvesse ninguém ali. Mas nesse dia, eu dei um grito desesperado:

“Sai, sai, o bebê está chutando!!!”

Nossa!! foi uma glória poder sentir aquele serzinho dentro de mim!!! É um sentimento que eu não sei por em palavras. E o mais incrível é que com o passar dos meses o bebê interagia conosco!!! E isso tem nome científico é Haptomonie. Ví essa explicação no blog Journal de Béatrice aqui .

O bebê reconhece a voz dos pais e interage mesmo. Era só por a mão em uma parte da barriga e o nosso bebê que só soubemos o sexo ao nascer, vinha e se roçava como um golfinho faz quando pomos a mão na água. Quando o pai dele chegava e perguntava perto da minha barriga: Cadê o nenê? O bebê pulava aos pinotes. Aos 7 meses quando se esticava eu segurava seu pezinho!!! Foi muito mágico. Então na última consulta do dr Paulo Roberto Franco* estimou o nascimento para 11 de janeiro.

( *farei um post só para falar/denunciar essa criatura que tem diploma de médico obstetra)

Dia 09/01/1991 – madrugada

Acordo com forte câimbra no pé da barriga. Acordo o marido e passo a contar as contrações. A cada uma hora vinha e eu contava o tempo. O marido foi pro trabalho e eu passei o dia com pedreiros em casa. E o tempo das contrações ia diminuído. Resolvi lavar roupas!!! Sim, fêmea para parir é um bicho bem estranho!!! E quando o pai chegou as 19 horas eu anunciei, vai nascer daqui para meia-noite!!! Então ele foi atrás do vereador que tinha prometido uma ambulância para nos levar para São Paulo, já que o plano de saúde só cobria a capital – sede da empresa onde trabalhava o marido. Mas eu tinha que primeiro passar por uma “vistoria” pelo médico do hospital de Caieiras – onde morávamos. Eu contrariada. Deu certo, o que tinha de dilatação dava para pegar a estrada. Era uma estradinha com moooooitas lombadas. Eu achava que a cada uma o bebê nasceria.

Chegamos 00:30 no Hospital Santa Joana e uma enfermeira muito alegre e bem humorada veio me receber. Entrei andando, porque como ela disse eu estava melhor do que ela!!!..rsrsrs

Passado pelos preparativos, vinha enfermeira a cada tempo fazer o exame de toque – nossa que começo de dor maledita!!! Então chegou a hora. Médico já tinha chegado e fui transferida para a sala de parto. Lá na hora da anestesia peridural me orientaram para ficar imóvel. Porém uma forte contração resolveu me bombardear.

“Está vindo uma contração” - alardeei

Duas enfermeiras, gordinhas pularam cada uma de um lado e me abraçaram forte que realmente eu parecia uma parede de concreto, não mexia nada. Passado a contração disseram para eu me deitar.

E começa a história: Faça força! E eu sentia uma coisa estranha se mexendo dentro de mim. E ouvia mais faça força. E toda aquela situação de praxe até que senti uma dor enorme – senti o corte da epsiotomia O médico falou: “mas você está anestesiada”. Mas eu estou sentindo!!!

Nada do bebê nascer, parou. Fórceps baixo!!! E ouvi:

“É um menino!!”

Olhei para o relógio, que foi a única coisa que pedi para ficar comigo, eram 2:30 h (horário de verão)

Senti os quatros pontos que foram dados costurando na raça, na carne. O “fela” nem para dar uma local. Ai eu hoje com todo conhecimento que tenho,para processar esse animal.

Um menino. E na hora que a enfermeira veio me mostrar foi uma das agulhadas da ponteação. Eu ainda ouvi a piada da enfermeira que eu nem queria ver meu filho, respondi gritando a ela, “Senti a agulha me costurando”

Mas lembro bem de uma coisinha comprida e branca chorando! Um menino. Como eu sempre quis. Que meu primeiro bebê fosse um menino.

Após o serviço, quando o nefasto do médico disse que me veria no dia seguinte, comecei uma tremedeira incontrolável, e no corredor o pai veio ao meu encontro perguntando se eu estava bem. Eu tremia que mal consegui responder, e nessa , tentava disfarçar, pensei que estivesse entrando numa crise para morrer e não queria que ele percebesse. Pedi para ele acompanhar o bebê.

O hospital estava cheio e fui para uma enfermaria de cirurgia geral.Só pela manhã é que foi liberado um quarto. E lá é que a tremedeira piorou. Era uma hipotermia. Soube depois. Logo a seguir veio uma parturiente que teve o bebê por cesárea e a anestesia estava passando o efeito. Ela gritava, urrava mesmo. Daí me virei de bruço para poder oferecer minha mão que não estava com a agulha do soro, para ela apertar. No começo ela não quis, alegando que ia me machucar. Mas eu lembrei que há minutos atrás eu queria muito uma mão para apertar e nenhuma enfermeira me deu e nem deixaram meu marido me dar. Fazia um calor forte naquela madrugada. E foi uma madrugada movimentada, mais de 10 bebês nasceram.

Pela manhã por volta das 10 horas fui transferida. Quarto da frente, com ante-sala e banheiro. Quem se importava em ser quarto da frente??? Mas adorei todo o resto. Um cuidado da parte das enfermeiras!!! Nem queria ir embora..rsrsr Que almoço! Tudo muito bom!

Enfim lá pelas 11 da manhã, trouxeram meu bebê para mamar. Aquele pacotinho todo durinho. Era muito engraçado. Um carrinho como os de restaurantes com vários embrulhinhos!!!

Ajeitei o bebê no braço e ofereci o peito esquerdo. Assim que encostou a boca ,recuo e com uma cara tipo: o que é isso? Insisti. Então o instinto aconteceu, ele abocanhou e se grudou. Houve uma falha da parte do berçário. Esqueceram o bebê comigo até as 15 horas quando eu tive que chamar para trocá-lo. Todas as fraldas estavam no berçário e eu sozinha no quarto. E o levaram.... buá, buá. Adorei poder ficar namorando meu pequenininho, que não era tão pequeno assim, 53 cm, é muito para um bebê!!! Nos dois dias que ficamos no hospital eu ia a toda instante cuidar se ele estava no berçário. E o berço dele estava de frente para a vidraça, o que facilitava a checagem. Depois da mamada escolhemos seu nome e depois várias discussões ficou Pietro Marco Maraveli.

Logo a seguir o pai teve que ir e nas horas que fiquei com meu pacotinho fiquei admirando, toda boba. Todo vermelhinho, com cravinhos brancos no nariz, uma boquinha tão vermelha, poucos cabelos no topo da cabeça, como um moicano. E daí sim, veio uma sentimento de proteger, aninhar, querer sugar até. Ficar sentindo seu cheirinho. Sem palavras!!!

Ele saiu enrolado na manta que eu saí da maternidade 23 anos antes. E com a roupinha que a avó paterna trouxe. Tinha que fazer um social, afinal ela presenteou o neto com uma manta looosho que eu sempre cobicei. E foi uma surpresa, porque nunca a vi fazendo a tal manta que ela já tinha decretado que não faria mais aquele modelo, que dava muito trabalho e tinha que bordar 1.200 mini pérolas!!!

(beijo ex-sogra,mas só por esse momento)

E fomos para casa dos tios, porque ainda ficaríamos na capital até ir no pediatra antes de pegar estrada para Caieiras.

Dezenove anos se passaram e essa memória está vivíssima em mim! Eu te amo filhote!

Em outro post falo sobre a amamentação.

3 comentários:

milu disse...

Texto lindo...me emocionou!
Lembrar deste nascimento com esta riqueza de detalhes...o filhao deve ter adorado.
Muito obrigada por ter passado la no meu "Cantinho". Faca a Capsula do Tempo", sim e divulgue tbem, qto mais pessoaas se dipuserem a fazer melhor.Bjs e fica com Deus.

Yv disse...

Amiga Livia,

Vc acaba de receber o sêlo "Esse Blog Vale à Pena", pelo blog Metamorfose Ambulante.
Para pegar a imagem do sêlo e colar em seu blog, envie seu endereço de e-mail para yvsaraiva@gmail.com

A condição para colar esse sêlo em seu blog é simplesmente indicar outros 5 blogs preferidos...

Parabéns, Yv.

Livia Luzete disse...

Milu - Obrigada querida, pela visita, pelas palavras carinhosas. Sim farei a cápsula e vou divulgar, Muito boa idéia.

Yvanna - só 5 blogs? ...tem tantos bons que sigo...

Beijos meninas e boa semana.