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sábado

de gata borralheira a Ana Wintour


Quando vim para o Ceará trouxe malas e malas de roupas e sapatos. No mês seguinte comecei a trabalhar na senzala área da hotelaria e usava uniforme, e só tinha uma folga na semana quando não era suspensa. E quando essa folga não era suspensa eu aproveitava para ficar o dia todo com meu filho. Maquiagem no Ceará, só se for para você fazer varias versões do Coringa. Roupas, foram sendo dadas, jogadas fora, e praticamente não repondo (uniforme,uniforme,uniforme), maquiagem completa doada para o grupo de animação do hotel, os sapatos alguns foram extraviado outros também não repus. Numa cidade onde até hoje as ruas se não for areia é de paralelepípedo-consumidor-voraz-de-saltos. E então os anos foram passando. E todo o brilho por me vestir, me sentir bonita foi sendo sufocado pelo consumo do trabalho de 12 a 16 horas por dia. Onde também não tinha a menor sintonia com  as pessoas daqui, nem mulheres para conversar, nem homens para namorar. Um peixe fora da água. Mas porque continuei aqui? Para dar uma vida com mais qualidade ao filho, que em São Paulo viveria de creche em creche, solavancando horas dentro de condução popular e correndo todos os riscos que uma cidade como São Paulo oferece. 
Escolhas...

Quando ía capital sentia uma vontade de comprar roupas, do nível que estava acostumada quando morava no sudeste,mas para quê??? para quem??? para servir de almoço para as traças do guarda-roupa??? Porque pouco vou a capital.
E por todos esses longos, inacabáveis 16 anos vivi numa depressão-visual. Só não enlouqueci porque sempre mergulhei nos meus livros e revistas. E com o tempo na internet.
Nesse último ano em contato mais estreito com o mundo dos blogs fui tendo contato com os blogs fashion. E me incomodava (em nivel 11 e a escala é de 0 a 10) ver os post sobre os novos esmaltes, cremes para cabelos,pele, maquiagem, roupas, sapatos e outros acessórios, e logo passava pra o post ou blog seguinte. 
Mas ficava com a sensação incômoda de: não pertenço mais aquele mundo...e ficava me consolando dizendo que ao menos não estava compulsiva por ter 4 modelos diferente da mesma coleção de sapatos da artista X ou os 8 estojos das cores de sombra primavera-verão.
Mas quem disse que eu era assim, quando fazia parte do mundo de onde vim???

Acho que lá no fundo, a opção por Design de Moda, foi como um exorcismo de toda essa minha depressão. 
Sabe,como se eu não me permitisse ter/ser o que fui, mas como desculpa de sê-lo?: agora tenho a obrigação de me vestir bem!Agora faz parte do meu respirar como ofício e não por futilidade saber qual a tendência disso ou daquilo.

Muito mais que um canudo, esse curso está sendo meu divã.

E fica a dica pro fim de semana para quem ainda não viu e para quem viu também: O Diabo veste Prada ou September Issue com a própria Ana Wintour.

*amei a foto da gata-borralheira moderna, minha cara